Bittar de volta ao Triathlon

Espero que tenham sentido saudade dos meus textos no blog da Saudável Confraria…..

Hoje eu vou contar para vocês sobre uma prova de Triathlon, na distância meio Ironman ou Ironman 70.3 (medida total em milhas). Essa competição marcou meu retorno ao Triathlon após 2 anos. Vou contar um pouco sobre esse tipo de prova e dar algumas impressões pessoais além de expressar meus sentimentos sobre essa volta.

No meio Ironman, nadamos 1900 metros, depois pedalamos 90km e, por fim, corremos uma meia maratona (21 km). Muitas vezes as distâncias são um pouco maiores ou menores. Na edição de 2016 do Brasília Triathlon Endurance, foram 2,0km de natação, 93 km ciclismo e 22,1 de corrida. Quem corre sabe o quanto esses kms a mais significam de “sofrimento” e na somatória do tempo da prova, mas isso ontem foi irrelevante. O melhor foi a sensação de estar ali competindo, de voltar ao Triathlon.

A prova foi muito dura na parte terrestre (pedal e corrida) com muitas subidas e descidas claro, mas não deu para aproveitar muito as descidas devido ànergia gasta nas subidas. No pedal, foram 4 voltas. Em cada volta, havia duas longas subidas: sendo uma com 8% de inclinação e a outra entre as proximidades do Palácio da Alvorada até a Catedral de Brasília. A corrida contou com 3 voltas, sendo basicamente uma única grande subida e uma única descida com ligeiro plano. Precisamos lembrar o local e clima onde foi realizada: Brasília a 1172 metros de altitude no cerrado com clima de julho –  bastante seco. Começou friozinho, mas depois  o sol mostrou todo seu esplendor dificultando bastante a nossa vida (calor e baixa umidade).

O triathlon ou triatlo é significativamente diferente de “apenas correr”. E também não é apenas nadar, pedalar e correr. É fazer tudo isso com equilíbrio entre cada etapa, incluindo as transições entre os esportes, além de lidar com outras características específicas desse esporte.

  • Natação: primeiro você precisa nadar e a natação é uma modalidade extremamente técnica que cobra muita perfeição na sua execução. Considerando ainda que acontece em aguas abertas, a dificuldade aumenta. Precisamos localizar as boias de marcação e isso exige que o nado seja diferente, pois precisamos levantar a cabeça. Para ser sincero, praticamente não enxergamos bem essas marcações quando estamos dentro da água, essa sensação é terrível. O pouco que mudamos da melhor trajetória já gera maior esforço, algumas vezes aumenta um bocado a metragem estabelecida.

1_72 (1) 2_72 (1) 3_72 (1)

  • Ciclismo: não é obrigatório usar uma bicicleta específica para triatlo, mas ajuda muito em provas de média e longa distância. A transição, ou seja, sair da água, pegar a bike e iniciar o pedal já é um desafio por si só. Fisiologicamente estamos deitados trabalhando musculatura diferente e, ao fazer essa mudança, pode acontecer um desmaio. O desafio agora é pedalar o mais forte possível, mas de forma que não te atrapalhe a correr. Hoje existem muitos estudos na área, com medidores de potência – essa tarefa fica mais fácil do que fazer apenas na percepção. A média para esse tipo de prova é andar entre 70% a 85% da sua potência máxima. Quem não tem medidor de potência vai ter que desenvolver a percepção nos treinos e lembrar-se de não torrar as pernas no pedal: depois o preço é alto.

4_72 (1)

5_72 (1)

  • Corrida: Correr depois do esforço de nadar e pedalar sempre gera uma pergunta em nossa cabeça. “Será que vou conseguir?”. Com treino adequado e boa alimentação na prova, você consegue! O ritmo costuma ser uns 10% a 20% mais lento que a média da sua melhor corrida. A dica é sair um pouco mais leve para realizar a adaptação neuromuscular e ir apertando aos poucos. De novo: quem tem relógio com medidor de frequência cardíaca pode ter melhor noção de esforço e se valer disso para não “fritar”, mas com treino e boa percepção muitos atletas fazem um tempo excelente sem esses recursos tecnológicos.

6_72 (1) 7_72 (1) 8_72 (1)

  • Alimentação e hidratação durante a prova: Esse é um capítulo à parte e cada um tem sua melhor estratégia e adaptação. Em resumo, levanto três tópicos importantes baseado na literatura e na experiência (lembrando que estou tratando de provas de longa distância = Meio Ironman ou Ironman).
    • Hidratação : média 600 a 750 ml por hora
    • Alimentação : 1 grama/KG peso
    • São provas que duram em média 5 horas, não dá para fazer sem se alimentar e hidratar corretamente.

Finalizando o texto vou contar para vocês como foram minhas sensações. Na natação me senti bem, achei que deslizei bem, fui num ritmo constante com esforço sub máximo, pois tinha muita coisa pela frente. No pedal, sofri muito, não tive como treinar mais e mesmo que tivesse treinado, foi muito difícil me controlar, saber onde fazer força, o medidor de potência me ajudou muito nessa tarefa. Quando estava finalizando o pedal, fiquei em dúvidas se conseguiria correr. Eu havia feito apenas 3 treinos específicos, mas estava confiante. Eu tinha pegado pesado nesses poucos treinos e sabia que, saindo para correr mais tranquilo, a chance de dar errado era pequena.

Fiquei muito feliz com resultado, brinquei com as pessoas na hora da corrida, passei muita gente e isso foi me animando. Preciso treinar muito para voltar andar no patamar que estava, só treinei 3 semanas para essa prova. Eu estava totalmente parado no ciclismo e havia voltado a nadar 6 semanas atrás. Graças a Deus tudo deu certo! Fiquei muito feliz e reforço meus agradecimentos pelas palavras e energia positiva que recebi.

9_72 (1)

 

Muito obrigado.

Roberto Bittar

@Roberto_bittar

 

Não sou profissional da área de nutrição, médica ou educador físico! Este texto expressa opiniões pessoais. Você deve consultar especialistas das respectivas áreas (Medicina, Nutrição e Educação Física) para obter informações específicas para você.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *