Corrida acompanhada

Um corredor para outro corredor.  Assim funciona o desafio do pacer ou coelho como é conhecido o marcador de ritmo oficial contratado pela organização de uma prova. Mas durante os treinamentos e corridas, muitos treinadores e amigos desempenham essa mesma linda função que, na verdade, tem um nobre sentimento: a vontade de ajudar, se doar. E o objetivo é um só: cruzar a linha de chegada cumprindo determinada missão desejada pelo corredor para aquele desafio.

Eu tive a oportunidade de viver essa experiência dos dois lados. Em novembro de 2015, fui pacer da Asics na G4, etapa Brasília, marcando o ritmo de 5:40 – que representa o marco de sub 2h em uma meia-maratona. Foi uma experiência incrível. A melhor recordação que levarei para toda a minha vida foi receber um abraço emocionado de uma pessoa que me esperava na linha de chegada para me agradecer por ela ter conseguido seu tão sonhado sub 2h mirando no meu balão.

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Com o balão e a medalha da G4 Brasília 2015 depois da missão de pacer 5:40 (sub 2h) cumprida

 

Recentemente, pela primeira vez, na Meia Maratona Internacional de Belo Horizonte, no dia 19 de junho, tive a oportunidade de correr acompanhada. Agora era a vez de ter alguém supervisionando cada passo meu. Depois de já ter corrido a Volta Internacional da Pampulha, em 2013, Ygor Graça, 39 anos, de Salvador, voltou para BH para participar da meia-maratona da capital mineira. Desta vez, com um foco totalmente diferente. Sua preocupação era me ajudar a voltar a alcançar o tão sonhado sub 2h.

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Ygor Graça ditando meu ritmo na Meia de BH 2016

Ele passou a corrida inteira me orientando. “Beba água devagar”. “Relaxa os braços”. “Toma o gel”. “Repare sua respiração”. “Não adianta forçar agora”. “Calma. Estamos no ritmo certo”.  “Para de olhar esse relógio”. “Tá chegando. É hora de crescer e terminar forte”.  Foi um aprendizado maravilhoso! Uma verdadeira aula de corrida. Pude perceber tantos erros que eu cometia que não estavam me deixando evoluir. Sempre saía forte, estava muito “presa” ao relógio olhando o pace o tempo todo e ultrapassava as pessoas loucamente pelo meio-fio, correndo o risco de virar o pé, como se o mundo estivesse acabando em questão de segundos (risos). Um desespero só por pura ansiedade de voltar ao meu ritmo e conquistar meu tempo desejado. Mas meu pacer em questão me fez enxergar claramente tudo o que eu precisava para melhorar, me ensinando na prática e na marra, literalmente, porque sou muito teimosa (risos)! No fim, deu tudo certo para nossa alegria. Que venham mais corridas, mais desafios e mais metas cumpridas!

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Meu terceiro sub 2h em meias maratonas alcançado na Meia de BH 2016

Conheça a trajetória do meu pacer amigo

Ygor começou a correr em 2012. Já fez duas maratonas no Rio de Janeiro, em 2014 e 2015, e uma ultramaratona de 110 km – o Desafio entre as cidades Feira de Santana a Salvador (BA). Afinal, para ajudar alguém a alcançar seu objetivo não basta ter boa vontade. É preciso ter muita experiência em corrida e uma boa dose de paixão pelo esporte. Isso ele tem de sobra. “Corrida é liberdade. Se sentir livre para fazer o que quiser, qualquer tipo de prova que você acreditar. Superação, disciplina, determinação. É uma redescoberta a cada corrida. Sempre busco me superar e procurar novos desafios”, conta Ygor.

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Ygor cruzando a linha de chegada na Maratona do Rio
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A ultra que Ygor fez em dez de 2015

2 thoughts on “Corrida acompanhada

  • 22 Junho, 2016 at 16:07
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    Arrasou Lili, texto perfeito!!
    Ygor, linda história!!
    Parabéns!! Jã o admirava desde qndo o conheci!!

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