Muito além da coragem…

Saiba como é desafiadora a Uphill e o que é preciso para encarar esse desafio

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A desafiadora serra com 256 curvas e 1.419 metros de altura (no percurso dos 42km)

“Não tinha feito nada igual antes, superação total!”, define o samurai baiano João Paulo. Afinal, ele encarou duas vezes, no mesmo dia (3 de setembro), a desafiadora Serra do Rio do Rastro (SC). Foi sua primeira experiência na Uphill, a maratona de subida do Brasil, e ele optou logo de cara por deixar sua marca de guerreiro eternizada naquela deslumbrante e inspiradora serra ao subir de manhã (25km) e voltar mais tarde para a maratona – um percurso com 256 curvas e 1.419 metros de altura… Mais do que coragem, é preciso muito treinamento para cumprir um desafio desse porte. “Optei em fazer o primeiro ano do Desafio Samurai (25km + 42km) por sempre gostar superar meus limites”, diz.

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João Paulo cruzando a linha de chegada de dia, nos 25km
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O samurai exibe seu maior troféu ao cruzar a linha pela segunda vez no mesmo dia: Juli

 

A preparação do samurai

 

“Devido a uma lesão (uma fissura subcondral no joelho direito), no final de 2015, só retornei aos treinos em maio de 2016 e, com isso, minha preparação ficou bastante comprometida. Tive que abortar duas provas que utilizaria como preparação, a WFL BSB e a Maratona de Porto Alegre, que foram substituídas pela Asics Run Rio 21km e Asics São Paulo 42km. Restando apenas cinco semanas entre a última prova e a Uphill, fiz apenas três treinos específicos. Porém, fiz um bom trabalho de fortalecimento muscular na academia, o que me ajudou bastante no desafio”, conta.

 

Mesmo muito experiente no mundo das corridas, um samurai também enfrenta alguma dificuldade para cruzar duas vezes aquele pórtico tão desejado… Não é nada fácil mesmo e muito menos para qualquer um! Mas é exatamente isso que move pessoas diferenciadas como João Paulo. “Os maiores adversários foram: o tempo curto de recuperação entre as provas, o frio (principalmente na maratona) e as duras subidas nos 9km finais”. Quem não se preparou fisicamente e/ou mentalmente sofreu ainda mais. “A prova é bastante técnica. Para realizar algo desse nível, é preciso não pular etapas, estar bem preparado e conhecer bem o seu corpo e seus limites”, enfatiza. Inclusive, todo o cuidado entre um prova e outra, no mesmo dia, também foi importantíssimo para cruzar as duas linhas. “Fiz crioterapia e utilizei repositor energético logo após o término dos 25km, almocei (carboidrato e proteína) depois de 2h e fiz um lanche 1h antes da largada”, conta João Paulo sobre sua preparação entre as duas provas.

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João Paulo encarando a Serra do Rio do Rastro
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O frio, a serra… Tudo é desafiador ali…

E qual a lição que fica de um desafio como esse? “Uma cabeça forte arrasta um corpo cansado”, diz o samurai. Mas um ingrediente a mais muito especial que mexe com a emoção também faz muita diferença numa hora dessas… Estamos falando de um pai dedicado que mentalizou o tempo todo cruzar aquela linha carregando sua filha. “Experiência única ter a samuraizinha em meus braços! Emoção total. O apoio da família e de amigos faz a diferença em qualquer prova, nessa mais ainda. A esposa que também é a minha fisioterapeuta teve participação direta nessa conquista, sem ela seria muito mais difícil encarar esse desafio”, conta.

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A emoção do samurai com Juli em seus braços
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Além da filha, João Paulo contou com o grande apoio da esposa e fisioterapeuta Ângela, no frio, na neblina e na chuva… Família de guerreiros!

 

E nem pense que essa história acaba por aqui… João Paulo já se inscreveu para o mesmo desafio em 2017 e aguarda o sorteio das vagas. “Apesar de ter ficado bastante contente com meu desempenho, ficou a certeza de que posso melhorar. Aquele gostinho que quero mais”, diz.

 

As mulheres que viram lendas

 

A Serra do Rio do Rastro também atrai mulheres guerreiras. Entre elas, a nutricionista Bianca Passos, do Espírito Santo, e Márcia Okabe, de São Paulo – amigas do Runners Brasyl.

 

Foi a primeira experiência da Márcia na serra e ela optou pelos 25km. Já Bianca foi pelo segundo ano consecutivo. “Em 2015, completei os 42km na Serra. Este ano fiz os 25km”, conta.

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Bianca e a mágica Serra do Rio do Rastro (SC)
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Márcia encarando, pela primeira vez, os 25km da Uphill 2016

A preparação delas

 

“Minha preparação iniciou com os treinos longos para a Maratona de POA. Depois foram seis semanas de treinos específicos de ladeira e esteira (média de 4x por semana) sendo que os longos chegavam a 25km no domingo. Musculação apenas para fortalecimento 3x por semana. No ano passado, eu tinha acabado de entrar na assessoria e meus treinos foram longos e fortes, com tiros em ladeira. Este ano, os treinos foram mais leves até porque a distancia foi menor, mas o foco foi esteira – lembro que detestava esse tipo de treino, mesmo assim colocava uma música bem alta e enfrentava, pois já tinha a noção do grau de dificuldade que seria enfrentar aquela Serra.  Definitivamente tem que treinar para encarar essa prova!”, conta Bianca.

 

Márcia começou o treinamento somente dois meses após a inscrição, em dezembro do ano passado. “No início, não tive orientação para essa corrida. Participo da assessoria esportiva oferecida pela empresa, porém ela não experiência nesse desafio para montar meu planejamento. Desse modo, solicitei ajuda de outra assessoria onde realizo as atividades funcionais semanalmente. Não tive, portanto, um planejamento focado para essa prova. O treinamento realizado foi basicamente: fortalecimento e aumento de rodagem. Tive incentivo do meu namorado que realizou parte dos treinamentos comigo. Não participei de muitas corridas este ano focando nos treinos. Nos meus últimos treinos para a Uphill, tive início de lesão nos tendões. Fiquei duas semanas sem poder fazer atividade, o que me deixou apreensiva”, conta.

 

As dificuldades enfrentadas

 

“Na maratona em 2015, tive grande dificuldade, pois grande parte da prova foi à noite e eu não gosto muito de treinar neste período. Passei mal durante a prova. Este ano fui com a certeza de que estava bem preparada e o melhor: seria de dia”, diz Bianca.

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Bianca nos 25km da Uphill 2016
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A nutricionista Bianca na Maratona Uphill 2015

Márcia conta que teve dificuldades logo no início dos 25km. “Senti dores nos tendões e início de câimbras e procurei ajuda médica. Após o aquecimento, as dores desapareceram e a dificuldade passou a ser nos últimos 10km, onde inicia a parte mais íngreme da prova. Essa parte exige bastante da musculatura. O fortalecimento ajudou bastante nesta fase”, conta.

 

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Márcia na Uphill 2016

 

As lições de um desafio…

… Para Bianca

 

“Costumo dizer que a Serra do Rio do Rastro é um lugar mágico… (a Serra cobra seu preço). É exatamente isso que acontece. Os últimos 5km são tão desafiadores que temos a impressão que ainda não temos a menor capacidade de vencê-la. Tem cheiro próprio, tem cores mágicas e se, humildemente, sua cabeça assumir o controle, ela te deixa seguir em frente. Aproveitei o máximo que podia! Quando fecho os olhos ainda tenho ótimas lembranças… Objetivo é tudo na vida. A partir desse ponto, podemos superar qualquer desafio. Além de ter disciplina, fazer o treinamento necessário e, claro, a dieta adequada”.

 

Elas também sabem que a prova não é para qualquer pessoa. “Não recomento a todos, pois é uma prova calculada em tempo, o que traz uma pressão muito grande ao corredor. Mas é um desafio que podemos guardar lá no fundo da memória e contar que um dia você subiu lá no topo da Serra (correndo)”, revela Bianca.

 

Bianca também vai se inscrever para tentar a sorte de conseguir uma vaga novamente, pela terceira vez consecutiva. “A serra uniu pessoas. Se for sorteada de novo, volto pelo simples fato de poder rever e conhecer pessoas incríveis. Os corredores que aceitam o desafio são fortes, de valores!”, diz.

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A emoção da conquistar essa medalha levou Bianca a tentar de novo, pela terceira vez consecutiva, a sorte de uma nova vaga em 2017

… Para Márcia

 

“A lição que levei dessa prova é que treino é a base de todo o sucesso, além de ser disciplinado e, acima de tudo, ouvir o seu corpo, saber quando se deve parar e descansar e voltar à atividade”, revela.

 

Márcia também deseja voltar a subir a serra. “Realizei a inscrição novamente para 2017 nos 25km, já que não concluí a prova no tempo estipulado pela organização. Quero muito realizar esta prova no tempo, sei que é possível! Hoje planejaria o treinamento diferente. Realizaria mais atividades para o aumento de velocidade, cardiovasculares e de flexibilidade, ou seja, treinamento completo. Não somente rodagem e fortalecimento. Além de tudo dar importância a alimentação. É possível sim realizar esta corrida, desde que realizem os treinamentos com disciplina, determinação e uma alimentação equilibrada e saudável”.

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Que venha 2017 para Márcia também!

 

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