O valor de uma conquista

O valor de uma conquista

No texto escrito por Roberto Bittar sobre a Maratona de Amsterdam, ele havia comentado sobre o valor de uma medalha de finisher. Decidimos então fazer uma “reunião” de depoimentos sobre o tema: “O valor de uma conquista”. Vamos apresentar um ligeiro perfil de cada atleta e seu respectivo depoimento.

Roberto Bittar

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Bittar na Golden, em nov, em Brasília. Foto: Flávio Edreira
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A importante conquista, entre tantas, do Bittar em 2016

Há 16 anos no esporte, nosso colunista Ironman iniciou a prática desse estilo de vida aos 30 anos de idade. Finisher em 13 Ironmans 140.6, mais de 20 maratonas incluindo Boston e várias outras provas de Ironmans 70.3, uma Ultramaratona, algumas meias maratonas, travessias aquáticas e outras competições.

“Ter participado de muitas competições não me tira a ansiedade para cada prova ou mesmo o brilho/angústia que tentar finalizá-la, não sou melhor que ninguém (nem pior). Apenas tenho uma história para contar e tento passar o máximo de conhecimento que puder para os que me perguntam… Creio ser esse a única possível vantagem: um pouco de experiência.

Inicialmente eu gostaria de perguntar: o que vale mais?

  • Estar entre os cinco primeiros no geral?
  • Ser um dos melhores da categoria (faixa etária etc)?
  • Estar entre os top 100, ou top 20 em alguns casos?
  • Finalizar a prova e obter uma medalha de Finisher?

 Para mim, a conquista tem o valor da dificuldade enfrentada, não existe uma premiação mais valiosa do que outra. Estou falando isso sob o aspecto do esporte amador. Para nós que não somos profissionais, o que vale é a nossa liberdade e nosso prazer/gratidão de poder estar ali participando (às vezes até pensam que somos profissionais). Gosto muito das minhas conquistas, algumas tem mais sabor que outras. Eu as classifico e guardo no meu coração não pela colocação que fiquei, mas pelo quanto lutei para chegar até elas. Tenho raros troféus em algumas provas locais mesmo. Mas querem saber o que mais vale para mim? Minha alegria e gratidão por participar e cumprir cada desafio. Em 2016, fiz e finalizei um bocado de coisa, não subi no pódio em momento nenhum, mas me lembro de cada momento de superação. Foi lindo! Emocionante! Engrandecedor enquanto ser humano! Essas conquistas me viciaram e continuam viciando. Elas me empurram para buscar outra competição. Pare para refletir: o esporte te liberta ou te escraviza?”

Stephanie Carvalho

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A tão valiosa medalha de primeira meia-maratona da Stephh, em Brasília, em nov

“Sou a Stephanie, 30 anos, corredora a quase quatro anos. Cada uma das medalhas que tenho tem a sua história. No momento em que ela passa a ser minha, personifica tudo que passei até chegar ali: dores e alegrias, superação e aprendizado, paciência e persistência. Olho para elas e sei dizer exatamente como foi a prova, como eu estava, como me senti. A mais recente, da Golden Run Brasília, celebra todo o caminho percorrido, passando pelos trotes, caminhadas, lesões, recordes pessoais. Celebra a certeza de que tudo posso e que o impossível é só questão de opinião. Olho para ela e relembro todo o percurso, todos os detalhes! Essa ficará pra sempre na minha memória…

 

Simone Faquineli

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O pulo de emoção da conquista da primeira meia da Simone, também em Brasília, em nov.
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Simone em sua conquista mais importante: 21km

“Meu nome é Simone, tenho 37 anos e só 11 meses na corrida. Comecei a correr pra fugir de uma depressão. E correndo me descobri viva, inteira. A prova mais marcante foi a Asics Golden Run, afinal pra quem estava acima do peso, sedentária e em menos de um ano conseguiu correr 21km foi um feito e tanto. Me perguntaram o valor de uma medalha e o que posso responder é que cada medalha representa uma vitória, eu ganhei de mim mesma, venci meus medos, minhas inseguranças e escolhi ser feliz. Minha superação é vencer minha própria mente e me amar como sou. Esse é o valor de cada medalha, eternizar o momento em que fui feliz plenamente”.

Irla

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A estimada medalha de top 20 da Irla
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Irla em Recife com nossa camisa Saudável Confraria

“A medalha significa tudo para um corredor porque é na chegada das provas que recebemos a medalha e já fica no peito,  e, mesmo com o cansaço,  lá no fundo temos o sentimento de que vencer mais uma etapa é Tudo! A medalha, portanto, nos lembra disso todo instante: Cruzei a linha de chegada – Venci a mim mesmo e Venci mais uma prova.

E a minha medalha preferida (muito difícil escolher porque são todas especiais) é essa da Golden Four. Foi muito especial porque, pela primeira vez, recebi minha medalha Top 20,  tão importante quanto quem chegou depois e quem também cruzou a linha de chegada e também recebeu a sua medalha, mas foi mega especial para mim – minha segunda meia-maratona (adoro as meias). Fiz o meu máximo, encontrei pessoas que a corrida me deu, desvirtualizei muitos amigos, recebi muitos abraços e beijos, recebi muitos parabéns e isso me marcou muito; então o carinho é gigante por ela”
.

Itamar de Sá

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Itamar em sua recente importante conquista: os 21km da Golden em Brasília, em nov.
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A medalha e o tempo (fantástico) do Itamar

“Sou o Itamar de Sá, 49 anos de idade. Há cerca de 2 anos e meio, iniciei-me na atividade esportiva, com mais afinco, após me afastar do serviço ativo da Polícia Militar. Nesse breve período, participei de duas provas da Volta Internacional da Pampulha, da meia-maratona do Rio de Janeiro, duas provas do X-Terra Tiradentes e da primeira IronRunner, no Museu do Inhotim.

 

Em 13 de novembro, participei, pela primeira vez, da prova Asics Golden, em Brasília, a convite de amigos. Antes de tudo isso, procurei uma assessoria esportiva. Já sabia que o acompanhamento profissional era muito relevante para quem, apesar de não totalmente sedentário, tinha consciência de seu pouco condicionamento físico. Foi uma decisão que, cada dia mais, me orgulho de tê-la tomado. Aprendi que desafios e limites se tornam intransponíveis mais por barreiras da mente que propriamente pela concretude da realidade. 

 

Vencer a preguiça, a indisposição para treinos e os, às vezes constantes, desestímulos da parte de muitos conhecidos é a primeira vitória que vem depois de muita disciplina. Depois as dores, o cansaço, os traumas apresentados pelo corpo e o pensamento de que não consegue correr mais que 1 km, se apresentam como desmotivadores… E aí a gente tem vontade de parar. Afinal, as responsabilidades de trabalho, família, os relacionamentos sociais continuam a nos exigir atenção e ação. 

 

Nesse momento e, de repente, percebemos que a atividade física começa a se transformar em nosso escape, nossa terapia. Terapia onde já não é mais questão de praticar o esporte, no caso específico a corrida, mas também é estar junto de pessoas que buscam se superar a cada prova, a cada treino, ultrapassar cada limite que antes pensava impossível. É compartilhar momentos de êxtases e dificuldades com estranhos. É apoiar quem se desanima durante a prova, é ser guinchado pela força emanada do “bora!” que é dito por quem não nos conhece, mas sabe que é importante essa vibração que emite. É olhar do lado e ver pessoas vibrando e se esforçando para concluir uma prova, mesmo que dificultada pela condição física, etária, ou mesmo social.

 

Ao final de cada prova, cada uma com suas dificuldades, o cruzar a linha de chegada é símbolo de que conseguimos mais uma vez, e que somos capazes de nos superar e nos surpreender, percorrendo uma distância, em um tempo e ritmos que não sabíamos ser capazes de atingir… E quantas vezes, nos espelhamos em pessoas que estão ali, participando da mesma prova, e que se tornam não mais concorrentes, mas uma companhia de caminhada, de entusiasmo, de vibração, de força para prosseguir.

 

Vejo na medalha, então, mais que um desenho de design interessante, uma materialização de todo empenho, dedicação, disciplina, esforço físico e mesmo psicológico que se passou até chegar ali, no ponto final da corrida. É o símbolo da alegria de ter vencido a si mesmo, suas decepções, suas incompreensões, seus fracassos, suas lutas, seus desafios… É símbolo de libertação. É o que a medalha significa pra mim”.

 

Elissama Assis

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O nome e o tempo gravados no verso da medalha da Elissama
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O valor de uma conquista também é medido sem palavras: apenas com essa emoção ao cruzar a linha de chegada

 

Comecei a correr em meados de 2013. Tenho 37 anos. Em pouco mais de três anos de corrida, já fiz três vezes a Volta Internacional da Pampulha, 9 meias-maratonas e duas maratonas, sem contar as provas de 5 e 10km e as de trilha como o Desafio Extremo em equipe que me marcou muito e a All Limits. Nesse tempo, descobri que posso redefinir meu impossível a cada momento. Corro por terapia. Superei um trauma familiar (perda) dessa forma, sem remédios. Transformei completamente minha vida, minha rotina, meus hábitos. Conheci pessoas incríveis que se ajudam de verdade, que nos motivam. Apaixonei completamente pelos 42km195m, pois gosto de sentir o gosto de superação a cada quilômetro e trabalhar minha mente – minha maior força. Afinal, passei muito tempo sedentária e havia engordado muito também. Sou feliz ao colocar uma medalha no peito, muito! É um presente valiosíssimo que faço questão de guardar com carinho seja pendurado no peito, no porta-medalhas ou no coração. Cada parte do nosso corpo está ali. A alma carrega toda energia também. A medalha simboliza perfeitamente tudo isso. A de Amsterdã, em outubro deste ano, teve um sabor especial: bati meu recorde, sem forçar, sem sofrer, apenas sendo feliz e grata! Quero muito poder viver novas sensações como essas…

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