“Road to Boston 2016” – Semana 22 de 22 (Boston Marathon)

Gratidão ou “Gratitude” como dizem por aqui!

Resolvi fazer dois textos para finalizar a série “Road to Boston”. Hoje vou falar sobre:

  1. Como foi a última semana de treino;
  2. Fazer um desabafo que espero seja uma história de incentivo para você leitor e
  3. Vou falar apenas sobre o final da maratona. Só no próximo texto, vou contar os detalhes da prova (com as fotos oficiais da maratona).
medalha
A tão sonhada medalha…

A última semana de treino

Peso: por aqui não me pesei, mas considerando as roupas e a sensação, devo ter mantido o mesmo peso médio, em torno de 72Kg. A alimentação foi muito bem controlada nessas duas últimas semanas, sendo que nos últimos três dias fizemos uma super compensação nos treinos e na alimentação.

Como isso funciona?

  • Os treinos diminuíram bem nessas semanas. Isso permite que corpo se recupere bastante. Ao fazer tapering espera-se atingir o máximo da performance do atleta.
  • Na alimentação funciona assim: como os treinos diminuíram, devemos também diminuir a ingestão calórica total para não ganhar peso. E, nos três dias que antecedem a prova, aumentamos a quantidade de carboidrato e diminuímos a de proteínas com objetivo do corpo fazer a carga da energia necessária para a competição, principalmente para provas com duração maior que uma hora e meia (Endurance). Atenção! Não comemos mais que o planejado! Isso seria um erro! O (a) nutricionista faz o cálculo de quanto devemos ingerir de calorias totais com aumento proporcional de carboidratos e diminuição de proteínas. Inclusive o tipo do carboidrato que deve ser ingerido em cada um desses dias pode alterar: macarrão não é a regra sempre. O índice glicêmico e quantidade possível de fibras do alimento ingerido mudam a cada dia. Quanto mais longe da prova, menor deve ser o IG e existe maior possibilidade de ingestão de fibras. Perto da prova devem ser alimentos com pouquíssima fibra e maior IG.

Os treinos desta semana foram apenas trotes por tempo. 1 hora na segunda-feira, 40 minutos na quarta-feira e sexta-feira e 20 no domingo, pois a prova foi na segunda, dia 18 de abril (vou explicar sobre a data no próximo texto). Total: 26 km de corrida na semana e nenhuma outra atividade foi realizada.

 

Meu desabafo – espero que seja incentivo

Correr a Maratona de Boston é considerado no mundo das corridas como um feito tão sonhado como correr uma maratona abaixo de três horas. Isso ocorre por dois motivos: primeiro pela tradição da corrida e o outro fato é porque a prova exige tempo de qualificação. Estar ali indica que você (dentro da sua categoria – gênero e idade) está entre os melhores do mundo.

Eu não me considero um dos melhores corredores do mundo; entretanto, obtive o índice para correr Boston na Maratona do Rio de Janeiro de 2015 quando completei a prova em 3h09 e fiquei entre os 10 melhores da minha categoria. Aí começa meu desabafo que penso que servirá de incentivo.

Não tenho biótipo de corredor. Eu não corria nem na escola, pois era gordo, usava óculos (uso até hoje) e para piorar tinha pé chato e bronquite. Sem considerar que minha mão faleceu quando eu tinha 4 meses de idade, eu me sentia o pior dos piores! E um detalhe contextual: nós que fomos criados entre os anos 70 a 80 sabemos muito bem como o País era difícil (acho que tão ou mais difícil que hoje).  Hoje eu enxergo que eles fizeram o melhor que podiam… Tive a sorte de ter boas pessoas ao meu lado, mas eu me sentia muito rejeitado! Deus cuidou para que eu não buscasse caminhos errados. Minha vida deu uma mudada para melhor quando fiz 11 anos. Meu pai se casou com minha mãe (eu a considero como mãe e ela me considera como filho), constituímos uma família e isso mudou completamente minha realidade.

Iniciei as atividades esportivas em 2000 logo depois que casei para fazer o Ironman daquele mesmo ano. Digo que esse foi o segredo para nosso casamento ser e continuar sendo tão especial. Na verdade, eu nadei dos 12 aos 15 anos para tratar minha bronquite (já citei isso em textos anteriores). Então, comecei a correr em agosto de 2000. Não levava o menor jeito para coisa. Até hoje, todos os dias que saio para treinar, sou como todos os meus atletas amigos que precisam forjar um corredor em um corpo que não é de corredor. Isso requer disciplina – característica que tenho de sobra -, além de perseverança e fé em Deus! Quando comecei a treinar, tudo doía. Não sabia nada de nada, pesava mais de 100 kg e fui buscando evolução. No primeiro ano foi tudo muito difícil, comprava tênis errados etc. Meus pés tinham várias bolhas, e pequenas lesões. Tudo conspirava para eu parasse de correr. Assim como acontece com a grande maioria! Sim, eu sou normal como você! Hoje estou mais experiente, mas ainda assim cometo erros.  Mesmo tendo iniciado nesse esporte já adulto, aos 30 anos, ele resgatou minha autoestima. A cada treino que completava, eu me sentia mais capaz. Até quando completei meu primeiro Ironman. Eu senti que aquilo era uma conquista pessoal e me colocou como referência para outras pessoas. Eu me enxergava de forma mais positiva. O esporte, aliado a outros fatores, me trouxe para o que sou e onde estou hoje. Eu não pensava que algum dia iria correr a Maratona de Boston. Na verdade, até pouco tempo atrás eu nem sabia que ela existia. Mas foi assim: buscando evolução todos os dias, forjando um atleta em um corpo que não é de atleta e as vezes em uma mente que não ajuda muito que já completei 13 Ironmans 140.6, mais de 13 maratonas, incluindo maratonas Internacionais (Miami, Buenos Aires, Berlim, Paris e Boston) sendo que 7 maratonas foram feitas entre abril do ano passado e abril deste ano (ou seja, aos  44 a 45 anos de idade). Com esse texto, quero provocar você a Redefinir seu Impossível. Você é capaz! Cada um tem sua estrada, seu tempo de aprendizado e evolução, mas cada um á capaz! #redefinaseuimpossivel

Para isso, meu aconselho é: cerque-se de bons amigos. Pessoas que te ampliam o conhecimento e te apoiam. Não se sinta inferior! Você é um ser humano capacitado! Busque o caminho com muita perseverança e fé! Eu vim para essa maratona com muitos amigos. Alguns externaram sua positividade outros não tiveram a oportunidade, mas eu trouxe todas intenções positivas comigo. Quero agradecer a cada um representando com essas fotos.

cartaz amigos
Bittar fez questão de levar o cartaz dos amigos de corrida : o grupo RunnersBrasyl.

 

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A força, a energia boa e do bem de cada um que torceu por ele! A equipe, os amigos…

E, por fim, quero dizer que foi muito dura a Maratona, não fiz meu melhor tempo, mas fui o melhor que eu podia ter feito para essa prova. Esse era/é o objetivo, independentemente de tempo! Sorrir e fazer o melhor que possível. Eu corri com pensamento nos amigos e família. Corri agradecendo a Deus por estar onde eu estava. Por Ele ter me tornado quem eu sou. Correr essa maratona doeu muito. Mas quanto mais doía, mas eu agradecia e pensava: não vou andar, não vou parar. Aí está o resultado (abaixo). No próximo texto dou detalhes da prova. Algo único!

 

resultado
Ele finalizou a prova em 3h29min42seg, Graças ao aplicativo oficial da maratona, os amigos acompanharam, ao vivo, os 42km195m percorridos por ele. Bittar, você é o nosso herói!

 

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Comemoração pós-prova com a medalha

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