Uma prova desafiadora

A histórica Tiradentes (MG) é o palco tradicional do XTERRA Brazil Tour 2016 etapa Estrada Real. Ao todo, mais de cinco mil participantes se dividiram em oito modalidades da competição realizada no último fim de semana (24 e 25 de setembro).

No sábado de manhã, foi a largada do XTERRA Endurance 50K (corrida). Durante a prova, o sol castigou os atletas. Alexandre Conrado cumpriu esse desafio que foi a sua consagração como ultramaratonista. “Foi a maior distância que percorri além dos 42.195m da maratona. Achei a prova sensacional, desafiadora, com ladeiras intermináveis. Sabia que seria uma prova difícil. Neste ano, fiz os 25km em Ibitipoca como preparação para maratona de Porto Alegre e penei”, conta.

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Alexandre Conrado na chegada dos 50K

 

O experiente Saulo Soares também gostou da prova apesar das dificuldades vividas. “Gostei muito da prova, afinal, foi desafiadora como esperava que fosse. Escolhi os 50k, pois tenho dificuldades em correr com altas temperaturas e queria viver essa experiência. Fui lá, me desafiei, administrei o melhor possível e concluí… Além disso, o evento teve uma atmosfera muito envolvente e inspiradora. Realmente é um grande acontecimento que abrange modalidades, percursos e distâncias diversas”, diz.

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Saulo durante o percurso de 50k

 

Saiba mais como foi esse desafio de 50K na entrevista abaixo com os atletas Alexandre Conrado e Saulo Soares:

Qual foi a maior dificuldade?

AC: A maior dificuldade foram os treinos, manter a disciplina para concluir todos com a certeza de ter feito o melhor. Falaram muito do calor, mas, no meu caso, o tempo seco foi o maior dificultador, a respiração (e até tomar água) exigia um maior esforço.

 

SS: Na verdade, foi um conjunto de dificuldades que vivi nesta prova.

Naquele dia, acordei com um pouco de cólica e precisei usar o banheiro no km23 em um estabelecimento comercial. Cinco quilômetros depois, novamente, fui “socorrido” na residência de um simpático nativo. E, para completar a minha façanha, errei o cálculo de consumo de água e percorri, aproximadamente, 10km sem água. Por isso, recorri, novamente, à casa de um outro nativo onde pude beber 3 longos copos de água gelada. Esta alegria durou pouco, pois eu já estava desidratado, senti náuseas e expeli toda a água. Com o enjoo, ficou impossível seguir minha dieta alimentar durante a prova. Enfim, minha maior dificuldade foi percorrer mais de 17km desidratado e, consequentemente, mais fraco e com ocorrências de câimbras – naturais da desidratação.

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O “sobrevivente” Conrado dos 50k com a namorada e atleta Thalita Vilaboim que fez os 21km

O que mais gostou?
AC: Gostei de estar ali, no meio de tanta gente casca grossa e me sentindo preparado para encarar os 50km, independentemente das dificuldades. Ali, mesmo preparado, a gente fica pequeno em meio a tanta experiência.

 

SS: Gostei de me desafiar naquilo que é um grande empecilho para mim: o calor extremo. Além disso, aprendi ainda mais e reforcei conceitos que trago comigo: “Se cansar, aprenda a descansar e não a desistir”. Acho que mantive o equilíbrio, a paciência e a inteligência para driblar os limites do meu corpo. A partir desta prova, reforcei que devo ser excelente naquilo que sou bom e não mais gastar tanta energia e esforço extremo naquilo que tenho dificuldades. Neste caso, darei preferência a provas com temperaturas mais amenas. Por fim, o que mais gostei foi encontrar o meu filho (10 anos) no 41km, quando eu já estava bastante desgastado. Ele correu 6 km comigo até que uma moto o “resgatou” daquele calor e da longa distância para uma criança.

 

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A alegria de um pai que contou com o apoio do filho durante 6 km (Saulo e Bernardo)

O treinamento foi pesado para esse tipo de prova?
AC: O treinamento foi mais pesado que o da Uphill em 2015. Estamos em evolução constante, por isto seria clichê falar que estou melhor hoje.  Encaixar um treino específico em subidas foi um desafio à parte. No início, achava exagero, mas foi questão de adaptação. Fiquei muito satisfeito com os treinos da Run&Fun.

 

SS: Não achei pesado. Talvez eu esteja habituado às corridas diárias (6 vezes por semana) e aos treinos longos aos sábados. Óbvio que fui disciplinado com a corrida,  fortalecimento muscular, massagens esportivas e dieta específica.

Qual será agora seu próximo desafio?
AC: Já estou inscrito para a maratona de SP em abril de 2017, mas meu maior desafio é conseguir treinar mais 2 modalidades e partir para o Triatlon.
SS: Ainda não defini completamente em função da minha agenda profissional, mas desejo fazer os 80km do Grand Canyon no Arizona/EUA em fevereiro de 2017.

 

Night Run/Trail Run

 

Depois de uma forte chuva durante à tarde, com temperatura mais amena, a noite de sábado, em Tiradentes, foi marcada por duas modalidades na corrida: 9,7km e 21km (meia-maratona).

 

O treinador Leonardo Cesar Rodrigues cumpriu os 21km ao lado de quatro alunas. “Participei da prova como apoio delas. Uma prova dessa requer parceria o tempo todo e foi o que mais vi! Enquanto uma puxava o ritmo, a outra se preocupava com sua colega mais inexperiente. Quando uma diminuía o ritmo, a que estava mais rápido fazia o mesmo dando suporte nos momentos mais complicados. Ao final, não coube mais alegria, pois todas terminam a prova com a satisfação de dever cumprido e a união cada vez mais forte. Tenho que agradecer muito a elas, pois elas me motivam cada vez mais a buscar o melhor sempre”, diz.

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Minutos antes da prova. A união das alunas do Leo e familiares e amigos

Mas nem tudo são flores em uma prova desse nível. E algumas dificuldades ou ainda alguns pontos fracos foram percebidos pelo treinador. “No início, havia um trecho de single track muito próximo da largada, o que dificultou para as pessoas que queriam performance devido ao afunilamento – fila indiana muito lenta. Observei o primeiro ponto de apoio sem lixeira. Além disso, os longos trechos em paralelepípedos completaram os pontos negativos da prova”, comenta o treinador.

 

Sarah Fiorini, Bia Carvalhaes, Fernanda Rodrigues e Márcia Correa formavam o quinteto com o treinador Leonardo. Leia abaixo a impressão de cada uma sobre esse desafio:

 

Fernanda: “Treinei somente quatro meses e meio para esta prova que representou minha primeira meia-maratona e foi uma experiência de conhecimento das minhas capacidades e limitações….Aprendi que sou capaz de ir além, mas, claro, sempre com a cabeça no lugar e fazendo tudo certinho (alimentação, fortecimento e treinos). Realização total! Sem contar que senti o que realmente valeu nessa prova inteira: a amizade e o companheirismo. Cada uma se doou pra outra, e isso teve um valor imensurável pra mim. Sem falar, claro, do nosso treinador top “Léo” que esteve ao nosso lado o tempo todo”.

 

Sarah: “A prova, sem dúvida, teve saldo positivo e valeu muito pela experiência! Como tudo na vida, houve pontos positivos e alguns negativos. Dentre os pontos que me desagradaram estão o percurso, com grande trecho de pedras, e o kit que poderia ter sido um pouco mais caprichado . Já os pontos positivos foram mais expressivos e deixaram uma marca maior, por isso saí feliz! A cidade da prova é charmosa e linda. Apesar das pedras, o percurso não foi muito técnico, o que conferiu um caráter inclusivo à prova. O clima da parte da noite definitivamente torna a corrida mais agradável e menos desgastante, achei muito bacana a animação na largada  e, principalmente, correr com amigos e sentir o companheirismo durante toda a prova foi incrível, além do acompanhamento e dicas técnicas do amigo e treinador Leo”.

 

 

Bia: “Experimentei a prova noturna porque nunca tinha feito, mas não gostei, fiquei insegura, corri devagar com medo de virar o pé. O calçamento foi tenso. Machuquei muito. O que mais gostei foi correr com minhas amigas… Definitivamente sou do dia!”

 

Márcia: “Fiz o percurso menor, 7,5km dessa prova no ano passado e gostei muito da corrida noturna. A energia da cidade que respira esporte nesta data e o astral da prova me contagiaram e eu quis voltar este ano pra fazer os 21km – foi a minha primeira meia trail. O calçamento de paralelepípedo judiou muito sim. O trânsito nesse percurso, do calçamento, também foi muito ruim: motos e carros passando rápido. Os copinhos vazios de água, jogados na montanha, foi outra coisa que me incomodou. Mas o saldo que eu tenho da prova é positivo. O fato de ser à noite, no silêncio da montanha e breu, foi mágico… Eu diria, divino! E outro ponto ímpar da prova foi a companhia das meninas e do Léo nos orientando. Nós largamos juntos e foi parceria durante toda a prova. Isso fica pra sempre!  E, para dar um charme a mais, a chuva. Deus caprichou nos clarões no céu… Espetáculo da natureza. Lavar a alma na montanha… Me deu uma energia a mais isso. Enfim , pessoalmente foi uma superação e uma experiência incrível… A montanha me deu mais do que eu fui buscar!”

 

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Leo entre suas alunas e seus familiares

Outras equipes que também participaram da prova saíram com o gostinho de superação. Adriana Drummond realizou um desejo. “Amei fazer a prova apesar das dificuldades. Era um sonho antigo. Corri, pela primeira vez, em trilha à noite, achei muito difícil, muita subida e a lanterna fornecida não iluminava nada. Mas achei a prova uma delícia, quero voltar quantas vezes eu conseguir. E adoro o clima de equipe, união, amizade. Fui com amigas e aproveitamos muito”, diz.

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Adriana Drummond no percurso de 9,7km
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Adriana com as amigas de equipe e de viagem: Thalita, Úrsula e Anna

 

Daniel Pain, da DPS Treinamento Esportivo, foi, pela segunda vez, com seus alunos. “Este ano fui com 8 alunos. Alguns fizeram a half night run (21,7km) e outros a short night run de 9,7 km. Prova dura, técnica, mas com uma sensação indescritível! Superação”.

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Daniel entre seus alunos no XTERRA
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Daniel e Victor na chegada dos 21km
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Daniel nos 21km
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Itamar Sá sempre alegre com seu lema: #boraviver #boracorrer

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